Sexo e Fantasia, sera que combina?

SexShopNa trama delicada dos amores, há desejos secretos.O assunto sempre vem à discussão, como em uma antiga novela das oito, onde o personagem Orestes, que sofria de impotência acreditava que se estimulasse suas fantasias sexuais poderia superar a crise. O tema é delicado, mas povoa a cabeça das pessoas. Quem não tem uma fantasia que gostaria de realizar?

No arquivo dos segredos íntimos de cada pessoa, os desejos eróticos são os mais bem guardados. O silêncio social (ou moral) imposto faz do tema, mesmo entre aquela turma de amigos na qual falar em sexo é mais natural, ficar no gênero das confissões incomuns. Talvez seja o assunto mais privado dentro da seara das intimidades. Mas, anonimamente, a história muda e seus personagens se revelam com todos os seus fetiches, taras e manias. Basta passar a vista nos classificados de jornais e revistas eróticas: há uma vitrine de modalidades sexuais muito variada em oferta.

A Internet tem papel de destaque nesse campo, por popularizar preferências incomuns de sexo que antes atingiam público mais restrito. Pedolatria, infantilismo (homens que adoram mulheres vestidas de bebê), sodomia, unhas grandes, escravidão consentida (há lista com cadastro de escravos e escravas!), mulheres musculosas… A lista é imensa e, assim como o mercado pornográfico em geral, coloca a mulher como gênero de primeira necessidade. O Marquês de Sade, que escreveu sobre pornografia como ninguém na França do século XVIII, ficaria extasiado com as promessas sexuais existentes atualmente.

Foi sob a condição do anonimato que a Troppo reuniu histórias de fantasias sexuais – algumas permanecem na imaginação de seus autores, outras foram saciadas na cama, no carro, na praia, no elevador, no banheiro da boate… Os cenários e enredos são variados. Em comum, a vontade se despir da camisa-de-força social e esparramar pela cama o arquivo dos desejos.

O estudante Ion Pavão, 22 anos, o faz de forma tão velada que suas companhias às vezes nem percebem. Para ele não faz diferença. “A fantasia é só minha”. Ele encarna Jonny, um garoto de programa, personagem criado a partir de suas leituras eróticas e filmes noir. O gosto por temas marginais influi no comportamento de Jonny: “É um despudorado, promíscuo e barato, meio violento na cama”.

Fora dos lençóis, Ion diz que gosta de imaginar que é um acompanhante pago. Num bar, numa boate, sua namorada é sua cliente. “Ninguém sabe. É minha fantasia meio masturbatória”. Um dia ele pretende levar sua trama particular ao ápice: realmente sair com uma pessoa estranha, ser um garoto de programa.

Lorena, 34 anos, vai além do faz de conta. Ela afirma que protagonizou todos os gêneros: na cama, foi empregada doméstica, enfermeira, colegial, diabinha, coelhinha e mais uma lista extensa de personagem. Só não encara o uso de chicotes, amarras e outras maneiras de manipular a dor como fonte de prazer. Rejeita o sadomasoquismo. “Gosto da beleza do erotismo, não de dor”. Uma peça sumária, velas perfumadas e boa bebida compõem seu ambiente ideal. O resto fica por conta da atuação dos protagonistas.

Para Lorena, é como no teatro: o espetáculo, o cenário e o enredo, só trocam de temporada. “É como se você estivesse sempre com outra pessoa, algo assim”. A fórmula pode ser a tábua de salvação para muitos casais que não esquentam a cama como no começo da relação. “A vida afetiva está sempre interessante”.

Ela insiste em declarar: a maneira de conduzir sua vida privada não a coloca na fogueira da inquisição moral. Lorena é mãe, se diz religiosa e tem vida financeira própria. O que ela procura é estar bem na cama, o que ela admite exigir certa coragem para se libertar das prisões morais herdadas com a educação. “Não sou vulgar”.

O técnico em informática Thor, 23 anos, quase ficou sem coragem com o aviso que recebeu de uma “amiga colorida”: naquela noite ela estava levando mais companhia ao apartamento dele. “Quando percebi que ia rolar com duas, fiquei gelado”. Tanto a ponto dos carinhos preliminares não produzirem o efeito esperado nele. “Estava muito nervoso. Ia dar conta delas?”

Tão inusitado quanto a chegada da dupla, foi Thor telefonar para um amigo. Tudo para ouvir umas palavras de estímulo. Recado do outro lado da linha: era a oportunidade que muitos queriam. Não poderia desperdiçar. “Deu resultado. Foi uma noite agitada”, resume. Um detalhe: os pais de Thor estavam no quarto ao lado.

Lorena acredita que as mulheres ditam as regras na hora de transformar em realidade sonhos eróticos: malícia e disposição para aventurar estão a favor delas, que assumem o papel de dominadoras. “Eles já têm muito poder na sociedade. Na intimidade, não querem continuar mandando. É a experiência que tenho”.

A estudante do curso de Direito, Kayleg, 21 anos, diz que as fantasias masculinas geralmente coincidem, criam a mesmice das Feiticeiras e Tiazinhas que habitam os sonhos deles – categoria na qual ela inclui o namorado. O rapaz propôs, depois de muitas indiretas, um encontro a três – ele e mais duas. Kayleg resistiu no início, receosa de se arrepender da aventura e ficar numa cama sem saída. “Na hora estava tão nervosa e excitada, esqueci os medos”.

A fantasia era dele, ela se apropriou rapidamente. Sua primeira e única experiência fora da matemática das relações convencionais (um homem, uma mulher) acendeu a centelha na imaginação de Kayleg. Seu próximo desejo, que inspira risco mas a atrai: eleger um estranho como companhia. Ela diz que achou ótima a primeira experiência. Resta saber se o namorado dela vai topar substituir o personagem.

Desejos atendidos sob encomenda

A garota de programa Luciana, 21 anos, diz que se prepara para encontrar os pedidos mais estranhos a cada novo programa. Ossos do ofício, segundo a lista de ditados populares. Muitas vezes, ela se esforça para reagir com naturalidade diante do inusitado na cama, a exemplo de um cliente seu em Belém que gosta de “brincar” com a cera derretida de velas. “O programa com ele é só isso. A vela derrete toda sobre ele, até acabar”. Luciana admite que se surpreendeu com o pedido, nunca havia passado por nada tão inusitado. “Mas fiz. Achei ele louco no começo, mas depois foi natural. No fim, é tudo trabalho”.

Não para todos. Embarcar com essa facilidade nas fantasias alheias nem sempre representa “obrigação profissional”. Neto, 25 anos, dá seu exemplo: ele negou o pedido de um cliente que gostaria de vê-lo vestido numa calcinha vermelha se masturbando. “De jeito nenhum. Neguei e ficou por isso. Não tem essa de profissional”.

Não é a primeira vez que Neto faz isso. Ele conta que há dois meses começou a fazer programas, mas não topa com qualquer um: depois do telefonema e local combinado com a cliente, ele passa ao largo, discretamente, vestido diferente de como descreveu a ela. Se for bonita, ele liga de volta para levar o programa adiante:

– Eu escolho com quem eu quero, onde e de que jeito. E sou exigente, difícil de engolir “bala de canhão”. Tem que rolar um tesão – afirma. É o que ele considera sua fantasia realizada: ser garoto de programa.

Josy Lima e Alexandre Monteiro participaram do ensaio fotográfico feito por Alberto Bitar. O único limite na hora de fantasiar é respeitar o que cada um deseja. Não é muito meu gosto encenar fantasias de Tiazinha, mas para quem gosta… Também sou contra violência física para ter prazer. Não acredito que machucar seja uma forma de prazer, como o sado masoquismo.

Raquel Ferreira, 17 Se vestir como um personagem é sadio, melhor que ficar chapado para transar. O homem normalmente dirige a cena toda, diz ou sugere o que quer. Mas muitas delas estão tomando a frente na situação. Eu não vejo fronteiras nas fantasias sexuais. Minha única condição é o respeito entre si. É bom criar esses limites para não ofender ninguém.

Bruno Silva, 22 Acho totalmente errado quando se coloca uma terceira pessoa, tipo o marido ou a esposa procurarem gente fora do casamento para realizar fantasias. Entre quatro paredes vale tudo, mas só a dois. Mas sempre tive impressão de que usar fantasias não é nada romântico, serve só para atrair, para o sexo. Eu não usaria, deveria partir dela.

Thiago Santana, 16 Se o homem estiver a fim de fazer algo, não tem como impedir: ou a mulher faz ou ele procura por fora, sabe que há gente na rua para isso. A mulher está sim num papel de realizar vontades, também as dela. Nós sempre criamos um teatrinho pra fazer o que mais nos interessa. Vale à pena sempre mudar um pouco.

Lena Yvana, 18 Vale à pena tentar novidades: arranhões nas costas, massagem, pingos de vela caem bem. O único risco é a outra pessoa dizer não. É bom o casal se conhecer bem, para não propor nada “pesado”. Agora, se a outra gostar, as fantasias ganham asas.

Erikson Monteiro, 22 É legal um casal realizar suas fantasias sem ter que procurar terceiros, pessoas que fazem programas. Acho que quando um casal está junto, é para fazer bem um ao outro. Ruim é se ver obrigado a se machucar só para poder agradar a outra pessoa.

Escritor: Alan Cativo

E você amiga(o), já teve alguma fantasia? já realizou ela com alguém?
Deixe sua experiência abaixo, so assim vamos descobrir oque da certo e errado na hora H

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